Carta náutica de papel – tá fora de uso!?

Escola de Vela Oceano – imagem carta náutica

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Por Marcelo Visintainer Lopes

Instrutor de Vela

Escola de Vela Oceano

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A carta náutica é uma das ferramentas mais presentes na vida do velejador, pois é ela quem informa o rumo mais seguro a ser seguido.

Embora as versões digitais tenham chegado para ficar, não há como negar a relevância da versão impressa nas situações onde os equipamentos eletrônicos deixam de funcionar.

É por esta razão que resolvi abordar alguns assuntos relacionados à carta. Este é só o início para motivá-lo a adquirir ainda mais conhecimentos…

Boa leitura e se ficar alguma dúvida me envie um whatsapp no 48 988113123.

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Abrindo a carta

Ao abrir a carta, posicione-a de frente para você como se estivesse abrindo uma revista.

Assim o norte ficará para cima (cabeçalho) e o sul para baixo (rodapé).

Esta é a orientação correta para trabalhar com qualquer carta ou mapa.

O seu braço direito representará o leste e o braço esquerdo o oeste.

Se você lembrar desta orientação será fácil entender os vetores que aparecem nos Apps de meteorologia.

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Profundidades

São os números espalhados ao longo da carta.

As profundidades são medidas em metros e decímetros.

Exemplo 1: o número 10 significa dez metros de profundidade.

Exemplo 2: o número 10 acompanhado de um número 6 em tamanho menor significa dez metros e sessenta centímetros.

As profundidades que aparecem na carta são as “mais baixas”, porém algumas marés apresentam variações negativas e assim devemos reduzir aqueles poucos centímetros da profundidade apresentada na carta.

Se a maré estiver positiva basta somar o valor da maré à profundidade apresentada na carta.

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Tipos de fundo

Espalhadas entre os números de profundidades encontramos diversas letras.

São os tipos de fundo (areia, lama, cascalho, areia fina, lodo, pedra etc).

As abreviaturas seria respectivamente A, L, C, Af, Ld e P.

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Diferenças de cores

As cores utilizadas na carta servem para distinguir terra e água e também para identificar zonas de diferentes profundidades.

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Rosa dos ventos

A rosa é a circunferência graduada que existe no interior da carta.

Ela é utilizada para a orientação dos rumos.

Existe uma anotação no interior da rosa chamada declinação magnética.

A declinação é o ângulo formado entre o norte da rosa (verdadeiro) e o norte magnético.

Como o norte da rosa não coincide com o norte da bússola devemos conhecer a diferença angular entre eles e aplicá-la na conversão do rumo verdadeiro em rumo magnético (pauta para uma outra postagem).

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Pedras

As pedras são indicadas pelo sinal “+”.

Uma variação do mesmo tema é o sinal de “+” com um pontilhado em volta (pedra submersa perigosa à navegação).

Outra variação é a presença de um “número” dentro deste pontilhado que indica a profundidade em que a pedra se encontra.

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Como medir as distâncias

Utilizamos um compasso. A sua abertura, entre os pontos a serem medidos, deve ser transportada até escala de latitude (lateral da carta).

Um (1) minuto desta escala equivale a 1 milha náutica e nenhuma conversão é necessária. Lembrando que 1 milha náutica equivale a 1.852m.

Analise com cuidado a divisão dos minutos dentro da escala e depois avance na definição da medida.

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Coordenadas geográficas

As coordenadas servem para determinar com exatidão a posição do ponto onde estamos ou onde queremos chegar.

As latitudes vão de 00° a 90° para o norte ou para o sul a partir da linha do Equador.

As longitudes vão de 000° a 180° para leste ou para o oeste a partir do meridiano de Greenwich.

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Encontrando a Latitude

Abra o compasso entre o ponto desejado e o paralelo mais próximo (linhas horizontais que cortam a carta).

Em seguida transporte esta abertura até a escala lateral e leia o valor.

A leitura é feita de cima para baixo, pois os graus aumentam para o sul.

Primeiro localize o grau correspondente, depois o minuto correspondente e depois os segundos (S 27° 12’ 30”). A letra “S” representa o hemisfério sul.

Se optar pelo formato de graus e minutos a anotação seria: S 27° 12,5’.

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Encontrando a Longitude

Abra o compasso entre o ponto desejado e o meridiano mais próximo (linhas verticais que cortam a carta).

Em seguida transporte esta abertura até a escala superior ou inferior e leia o valor.

A leitura é feita da direita para a esquerda, pois no ocidente as longitudes crescem para a esquerda (oeste) à medida que nos afastamos do meridiano de Greenwich.

Utilize a mesma regra do formato de posição das latitudes para definir a longitude. Utilizamos a letra W na frente da anotação para expressar que estamos a oeste de Greenwich (W 048°27’30”).

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Carta 12.000

É uma publicação em forma de livro e não uma carta náutica.

Todos os símbolos e abreviaturas das cartas nacionais e internacionais são traduzidos lá dentro!

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Onde encontrar as cartas náuticas em papel e a carta 12.000?

No posto de Vendas da EMGEPRON em Niterói – Base de Hidrografia da Marinha.

Compre também no www.cartasnauticasbrasil.com.br

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Se você gostou do assunto vá preparando um kit básico para levar a bordo:

Carta náutica da região onde for navegar, régua paralela ou transferidor de 360° com uma linha no centro, lápis, borracha, apontador, compasso, calculadora, caderno para anotações e cálculos.

Bons ventos e até a próxima!