Qual o melhor veleiro para começar?

Escola de Vela Oceano – atleta Sebastian Ribeiro

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Por Marcelo Visintainer Lopes

Instrutor de Vela

Escola de Vela Oceano

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Qual é o tamanho de barco ideal para começar?

Qual é o melhor veleiro para começar?

Qual é o melhor custo benefício na faixa dos 50k, 100k, 150k, 200k?

Qual o melhor lugar para guardar o meu barco na região de …?

Qual o melhor material para o casco do barco?

E assim segue uma lista enorme de perguntas.

Dúvidas, dúvidas e mais dúvidas…

Tem tanta coisa envolvida no processo de compra que seria necessário eu escrever um livro de muitas páginas. Como isto não será possível, tentarei ser o mais breve possível.

Cada pessoa tem uma necessidade diferente das demais, mas no fim todo mundo só quer velejar e ser feliz.

As pessoas me procuram para ajudá-las a resolver um problema, mas quando faço perguntas básicas percebo que os projetos logo vão mudando… Isto faz parte do amadurecimento de quem busca o seu barco ideal.

Nem todo mundo conhece todos os itens envolvidos na compra e na manutenção e por isto é muito normal errar na compra do primeiro veleiro.

Objetivamente posso responder que o barco ideal é aquele que cabe no seu bolso e te faz feliz!

Este é o primeiro ponto!

Após definir o valor a ser investido e também definir suas necessidades você conseguirá pesquisar os modelos que se enquadrem no seu ideal.

É normal que você queira visitar o barco e é nesta fase que eu dou um conselho valioso: velejar é a coisa que menos interessa.

Muitas outras coisas são mais importante do que “experimentar” o barco. Ao sentir o vento no rosto você vai deixar de lado todo o resto e é provável que você se jogue de cabeça…

Especialistas em avaliação de veleiros poderão exigir uma velejada lá no final da avaliação, mas os leigos devem evitar esta tentação!

Eu tenho uma lista completa para avaliação de veleiros e ela poderá ajudar nos itens mais importantes (me chame no privado que eu envio).

O ideal mesmo é investir em um profissional de avaliação, pois ele apontará todos os pontos defeituosos e o respectivo valor de manutenção. Este valor servirá de referência para baixar o preço do barco durante a negociação.

Nem sempre o proprietário está disposto a baixar o valor do barco, mas mesmo assim você terá a noção exata do valor a ser investido no barco após a compra.

Tem outra questão que eu chamaria a atenção que é a seguinte: busque informações sobre onde o seu futuro barco ficará guardado.

Cara, parece uma coisa óbvia, mas muita gente esquece disto. Compra e depois se dá conta de que não tem lugar para guardar!!!

Busque informações, descubra se existe vaga e também se o local comporta o tamanho do seu barco.

Em paralelo, descubra todos os custos envolvidos após a compra (transporte, manutenção etc.).

Não estou aqui para promover estaleiros até porque e a maioria deles já fechou…

Meu propósito é lançar a ideia de que para ser feliz a gente não precisa de um barco enorme (muito antes pelo contrário – às vezes).

Conheço uma porção de gente feliz velejando a vida toda no mesmo barco (Laser, Dingue, O’day 12’ e Day Sailer). Ambos foram pensados para velejar durante o dia e se você deseja pernoitar a bordo já não dá (só acampando).

Para começar a dormir a bordo (apertadinho) passamos para os cabinados de 16’, 17’ e 19 pés RD 16’, Tchê 17’, Bruma 19’, Micro 19’, entre outros…).

Com um pouco mais de espaço interno, mas com o dobro do investimento, você alcança barcos como o Delta 21’, o Brasília 23’, o Fast 23’ e o Velamar 23’.

O O’day 23’ pode ser uma opção para quem quer mais espaço interior do que os seus parentes de 23 pés, porém um pouco mais lento que os outros (tem velejadores que amam e outros que detestam).

Lá na faixa superior dos 100k, talvez um Delta 26” ou um Spring 25’.

Brasília 32’, Fast 303 e 310, Velamar… Depois Skipper 30’ e Delta 32’ e assim vamos ao infinito…

Para conseguir idealizar o “veleiro ideal” seria necessário você responder algumas perguntas:

1.Onde vou guardar?

2.Quem vai velejar comigo?

3.Vou velejar apenas de dia?

4.Quero pernoitar a bordo?

5.Preciso de banheiro?

6.Quero apenas brincar em frente à marina?

7.Quero ir mais longe?

8.Quero morar a bordo?

9. Quantos finais de semana por mês eu tenho livre para velejar?

10. Quanto dinheiro eu disponho mensalmente para investir no barco (manutenção e marina)?

Comprar um barco é uma coisa e manter o barco é outra.

Você conhece suficientemente bem todos os custos envolvidos em um veleiro (do tamanho que você escolheu)?

Marina, marinheiro, despesas fixas anuais ou bianuais e despesas extras?

Esta conta é que interessa e os percentuais podem variar entre 5% a 15% do valor do barco.

Barcos que ficam em poita própria escapam dos percentuais mais altos, mas não esqueça que a poita precisa passar por revisões anuais.

Tenho acompanhado compras por impulso da geração “COVID” e já percebo alguns arrependimentos por causa das despesas.

Se eu pudesse dar uma última dica eu diria o seguinte: procure saber se não é apenas mais um impulso de compra como todos os outros (instrumentos musicais, cerveja artesanal, máquina de fazer pão, Harley, caiaques de pesca, pranchas de SUP, skates, relógios, eletrônicos e todo os resto que os homens adoram – kkkkkk).

O interessante é que as mulheres (na sua grande maioria) não sofrem deste mal das compras por impulso!

Se tiver alguma dúvida, opinião ou algo para acrescentar, escreve aí nos comentários.

Bons ventos!