As boas práticas do velejador

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Por Marcelo Visintainer Lopes

Escola de Vela Oceano – Florianópolis

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Cooperação, cordialidade e coragem são valores que devem estar presentes nas pessoas que desejam utilizar o mar como local de lazer ou de trabalho.

Se você deseja se tornar um verdadeiro navegador, esteja sempre de prontidão.

Qualquer coisa que flutue merece sua atenção, não importa o tipo – caiaque, jetski, SUP, traineira de pesca, espaguete de piscina, boia de flamingo, veleiro, lancha, kitesurf etc.

Atenção aos comportamentos “não comuns”:

– Objetos flutuantes vagando no meio do nada

– Barcos à deriva

– Barcos emborcados

– Barcos ancorados em locais incomuns

– Linha d’água muito afundada

– Proa muito acima do nível da popa ou vice-versa

– Fumaça ou cheiro de fumaça

– Fogo/incêndio

– Entre outros…

Mantenha sua atenção voltada também para os sinais enviados pelos tripulantes e não fique esperando enxergar os sinais tradicionais como fumígenos e foguetes.

De dia, aprenda a distinguir entre um “olá” e um “pedido de ajuda”, já que o aceno descontrolado é o próprio pedido.

O movimento clássico de socorro é com os dois braços fazendo um movimento longo passando por cima da cabeça (da lateral da cintura para cima).

Quando um braço estiver machucado talvez você enxergue apenas um braço movimentando-se amplamente (também passando por cima da cabeça).

Não esqueça de deixar o rádio VHF ligado no canal 16, pois talvez o pedido de ajuda venha dali.

Listei abaixo algumas coisas que julgo importantes e básicas no dia a dia de um velejador. Quando vejo um capitão colocando em prática estas ações tenho convicção que estou diante de um gentleman – um exemplo a ser seguido!

1.Nunca cruze pela proa de uma embarcação fundeada ou apoitada (nem mesmo em baixa velocidade). Esta  manobra deixa o proprietário do barco fundeado com o coração na mão devido ao risco envolvido.  

2. Nunca cruze pela proa de um veleiro em movimento (a não ser que esteja a uma distância bem segura e que não ofenda o outro). Cruzar pela popa demonstra respeito e educação.

3. Nunca suje o vento de outro veleiro. Se você estiver com mais velocidade faça a ultrapassagem por sotavento (pelo mesmo lado que estão as velas dele). Se a ultrapassagem por barlavento for inevitável, certifique-se que a distância é suficiente para não dar um apagão.

4. Separe corretamente os resíduos produzidos a bordo e dê o destino correto quando chegar em terra.

5. Utilize somente produtos de limpeza biodegradáveis.

6. Se você tem o costume de utilizar copos e pratos descartáveis, utilize apenas os biodegradáveis. Descartáveis voam com muita facilidade e serão ingeridos por diversas espécies marinhas.

7. Na ancoragem – a educação e o bom senso:

– Baixe o volume do som.

– Baixe o volume da conversa.

– Baixe o volume das gargalhadas.

– Controle a quantidade de bebida alcoólica de seus tripulantes e saiba o momento de substituir o álcool pela água.

– Não acione a descarga do banheiro quando estiver a barlavento de outros barcos.

– Não acione a descarga quando seus tripulantes estiverem na água.

– Não jogue nenhuma espécie de resíduo na água (mesmo orgânicos).

– Não manobre muito próximo de outros barcos.

– Não ancore onde não há espaço para o barco girar.

– Não ancore na proa de outros barcos. Lembre-se que sua âncora poderá garrar, jogando seu barco para cima de outro.

– Prefira sempre os locais mais para fora e com mais espaço para giro. Ancore na popa dos últimos barcos da enseada ou paralelo a eles.

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Pequenas atitudes poderão fazer toda a diferença!

Bons ventos!