Dicas de ouro #5 – Velejando acima do orça máxima

Escola de Vela Oceano – banner dicas de ouro #5

Velejando acima da orça máxima!

Por Marcelo Visintainer Lopes

Instrutor de Vela

Escola de Vela Oceano

Você sabia que podemos orçar mais que o “normal” e ainda obter benefícios com isto?

A técnica é chamada de “espetar”.

Ao dominá-la você vai entender porque os grandes velejadores conseguem timonear com tanta facilidade nas condições extremas.

Este é o próximo nível e você se tornará um mestre na condução do leme.   

Um velejador iniciante/intermediário se preocupa (equivocadamente) em manter as velas cheias 100% do tempo.

A adernação exagerada e a forte tendência de orça (freio hidrodinâmico) passam desapercebidas.

Velejar no modo “rápido” é muito eficaz para os ventos mais amenos e até moderados, mas em condições de vento forte/muito forte devemos aliviar a pressão de todas as maneiras possíveis.

A técnica de andar mais orçado do que o rumo da orça máxima serve para várias coisas:

– reduzir a pressão do vento sobre as velas;

– aliviar os esforços sobre a mastreação, leme e casco;

– ganhar “altura” em relação ao vento;

– diminuir a adernação;

– diminuir a tendência de orça, entre outros…

Velejar “espetado” significa que você está entrando na “zona morta”, mas sem aproar.

O movimento contrário é chamado de “soltar” (soltar o barco = deixar ele andar = arribar um pouco).

Para soltar o barco devemos fazer com que as birutas de barlavento da genoa voem mais na diagonal baixa/ quase horizontal.

Como começar?

Sentado em uma posição que você consiga visualizar as birutas da genoa (mais próximas ao convés), comece a orçar aos poucos até sentir o alívio de tensão do estai de proa (a biruta de barlavento começará a subir).

Se você orçar demais o barco aproará e se orçar ainda mais e cruzar a linha do vento sem querer, ocorrerá uma cambada “involuntária”.

A técnica exige treino, paciência e tato fino para conseguir manter boa velocidade mesmo com a perda de pressão na testa.

Para que você entenda o que estou falando é importante que você coloque foco apenas no comportamento da primeira linha de birutas da testa da genoa (mais próximas do convés).

Digo isto para facilitar a sua vida, pois alguns velejadores de cruzeiro não costumam dar atenção para o ponto da genoa, mas é justamente ele quem sincroniza todas as linhas das birutas.

Partirei do princípio que as três linhas de biruta estão em descompasso e assim desprezarei a informação da segunda e terceira linhas acima.

Quando você acertar o ponto da genoa para que as três linhas entrem em sincronia, daí é só aplicar a mesma técnica.

Se você focar nas linhas de biruta do alto a “espetada” não terá efetividade, já que a parte mais baixa (com maior área vélica e maior influência) permanecerá com toda a pressão do vento.

A técnica de espetar o barco é utilizada nas rajadas mais fortes ou quando o vento já sopra com força suficiente para reduzir o tamanho das velas.

A espetada é o primeiro recurso antes de iniciar qualquer redução de tamanho.

Por não dominar a técnica, o velejador menos experiente tende a ir direto para o rizo ou para a redução da genoa.

De nada vai adiantar reduzir área vélica se você não dominar a técnica de “espetar”. Inicialmente poderá até resolver, mas assim que o vento aumentar novamente seus problemas recomeçarão.

Os movimentos de redução de área vélica serão potencializados se você dominar a espetada.

Consegui estabelecer (pedagogicamente falando) três níveis de espetada e assim fica mais fácil de eu ensinar na prática.

O primeiro nível é o mais fácil de executar, bastando orçar até a biruta de barlavento subir (diagonal/vertical).

Os níveis vão subindo de número em função do aumento do vento.

No nível 1 a vela grande já pode começar a descer um pouco para sotavento (travler), principalmente quando o leme começar a pesar.

Se não tiver o travler você será obrigado a folgar levemente a escota do grande.

No segundo nível o timoneiro a orça deve ir além da vertical da biruta (panejar pelo menos um palmo de testa), podendo ampliar até dois palmos (terceiro nível), se for necessário.

Os níveis 2 e 3 serão acompanhados do travler mais a sotavento ainda, com uma boa panejada da testa.

A diminuição da área exposta ao vento representa uma diminuição real de área vélica e funciona como se você tivesse trocado as velas por velas menores.

Espero ter clareado um pouco as coisas para você!

Me chama lá no whatsapp (48 988113123) se tiveres dúvidas!