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instrutor: Capitão Marcelo Visintainer Lopes
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quinta-feira, 27 de junho de 2013

Mulheres a bordo - RISW

Ilhabela (SP) - O maior campeonato de vela oceânica da América Latina reúne cada vez mais mulheres, fato que garante mais charme e beleza à 40ª edição da Rolex Ilhabela Sailing Week. O evento, que será disputado de 6 a 13 de julho, no Yacht Club de Ilhabela (YCI), terá uma equipe 100% feminina na classe HPE, uma velejadora austríaca no timão de outro time e várias mulheres espalhadas nos mais de 130 barcos já confirmados para as regatas no litoral norte paulista nas categorias ORC, HPE, C30, S40, RGS (A, B, C e Cruiser), além das novidades IRC e Star. Sem contar o site de busca por tripulante que reúne perfis de várias candidatas. 
Os resultados também mostram que o espaço não é apenas dos homens e a força, na maioria das vezes, perde espaço para tática. Nada de sexo frágil em jogo. "Nós, como todos os atletas, gostamos de superação. Montar uma equipe 100% feminina numa classe com mais homens na raia é um desafio. As regatas são técnicas e com um nível competitivo alto. Por isso vamos colocar à prova todo o nosso talento", diz Renata Bellotti, que comanda o Xavante Alfa Instrumentos, barco só com mulheres a bordo.O time feminino tem experiência de sobra para brigar pelas primeiras posições. Além da timoneira Renata Bellotti, a equipe será formada por Fernanda Decnop (atual líder do ranking brasileiro de Laser Radial), Tatiana Ribeiro, Larissa Juk e Andrea Rogik.
A classe HPE demanda muita força física e uma tripulação feminina é obrigada a desenvolver outras aptidões, que superam em parte essa tal necessidade. Temos maior atenção nas variações de vento e correnteza, mais preocupação na regulagem fina do equipamento, o respeito pela função de cada uma sem interferência e, principalmente, o zelo pela harmonia e bem estar da tripulação", diz Renata Bellotti, que não se esquece do famoso sexto sentido feminino.Integrante especial do Fram, um dos barcos na classe RGS, a austríaca Barbara Prommegger, de 40 anos, será a timoneira do time. "O nível da vela brasileira é muito alto. Na Europa, há mais barcos e velejadores, mas as pessoas, ou a maioria delas, encaram o esporte de outra maneira. No Brasil, como é um pouco mais difícil praticar a modalidade, os atletas são mais completos. É tudo mais especial".Concorrente do Fram na mesma classe, o Jazz tem mais mulheres do que homens a bordo. "O importante é o entrosamento do time. Nossa equipe está cada vez melhor e a nossa alegria interna resulta em resultados no ano de 2013. Isto independe de sermos uma equipe feminina ou mista. Mas continuo prestigiando as mulheres que fazem parte da minha tripulação, pois acho que elas ainda têm menos espaço na vela de oceano", atesta a comandante Valéria Ravani.
A vela olímpica brasileira também brilha com resultados internacionais, como o terceiro lugar do ranking mundial da dupla de 470 Fernanda Oliveira/Ana Barbachan. Outra parceria de sucesso e que também tem tudo para subir ao pódio nos Jogos do Rio, em 2016, é Martine Grael /Kahena Kunze, na 49erFX. Elas estão em segundo.


terça-feira, 25 de junho de 2013

Imagens Rio Grande - batismo de Mar

Fotos: Rodrigo Ávila










Última perna do 1º semestre - Travessias 2013


Batismo de Mar - Travessias 2013

Relato da velejada em Rio Grande/RS 

Sexta-feira, 21 de junho de 2013.

Por Marcelo Lopes

Eu, Rodrigo e Roberto saímos de Porto Alegre às 10h15. Combinei com o Gerson Hass de encontrá-lo em Eldorado do Sul. Luciano e Roberta nos encontrariam em Rio Grande no final da tarde.
Chegamos ao Iate Clube de Rio Grande às 16h depois de 5 horas de viagem. Chovia forte de sul e fazia frioooo...
Quando Luciano e Roberta chegaram ainda chovia muito e tiveram que esperar a chuva acalmar para tirar as mochilas do carro. Ficamos dentro do barco esperando até às 21h, quando São Pedro deu uma folga (graças à rondada para SW que derrubou a temperatura). Depois disto conseguimos agilizar algumas coisas na rua.  
Enquanto esperávamos, preparei o jantar e a pessoal cuidou dos sanduíches para o dia seguinte. Fora da barra, com o mar do tamanho que estava previsto, sanduíches e frutas segurariam bem os estômagos.
Ouvimos duas vezes a “Chamada Geral” indicando MAR GROSSO/MUITO GROSSO com ondas de S/SW de 3,5 a 5 metros e ventos SW a W 6/7 com rajadas (22 a 33 nós) na área Alfa (do Arroio Chuí até o cabo de Santa Marta).
Esta condição pode parecer meio sinistra, mas aqui no sul é bem normal. O mais importante nesta hora é a confiança no barco. Conheço bem os processos construtivos e confio plenamente em cada detalhe da montagem do Wind 34’.
Fomos dormir antes da meia noite. O vento assobiou forte a noite toda causando uma banda de 10 graus para boreste.
Acordamos às 6h, tomamos café, preparamos tudo dentro e fora do barco, vestimos as roupas de tempo e saímos.  Hora de saída: 8h15.
O dia amanheceu lindo e gelado. O vento WSW cortava o rosto e a sensação térmica era de 0,8 graus.
Velejamos por duas horas até a chegada nos molhes. No caminho realizei uma conversa com a tripulação sobre a experiência que teriam e como seria importante a velejada ser prazerosa para todos. Não havia um compromisso formal de X horas de mar e nem tão pouco a obrigação de passarmos trabalho lá fora.  O número de horas que permaneceríamos navegando naquele mar só dependeria deles!
Minha proposta  de “Batismo de Mar” em primeiro lugar é lúdica e depois, técnica. Não se trata de um curso avançado de mar e sim de um batismo e, neste caso, procuro evitar ao máximo as sensações de desconforto .
Sempre que velejo com tripulações pergunto como todos estão se sentindo em relação ao vento e às ondas. Pergunto se não estão indispostos, etc. Faço algumas recomendações básicas em relação à importância da alimentação e falo também sobre o que devem ou não fazer a bordo, enfim... Preparo seus espíritos e tento adequar seus organismos a um menor impacto possível. Cada pessoa tem um comportamento diferente em relação ao balanço. O conflito entre as informações enviadas pelo labirinto e pelos olhos ao cérebro pode ser mais determinante em uma pessoa do que em outra.
Quem decide mudar de vida e “viver a bordo” deve aprender a lidar com diversos fatores e sensações ao mesmo tempo. Convivemos com muitas variáveis e saber lidar com elas com tranqüilidade e segurança é sempre muito importante.
Quando se navega com uma tripulação, a gestão de pessoas se torna mais vital do que muitas outras coisas.
De nada adianta ser um expert na vela  e um péssimo gestor de pessoas. Ninguém vai agüentar velejar com você por muito tempo e você não terá condições emocionais de administrar a saúde física e mental da sua tripulação.
Às vezes me perguntam o que é necessário aprender para poder iniciar uma velejada na costa brasileira?
Respondo: a primeira coisa é aprender a velejar e descobrir se existe algum talento e paixão pela navegação. Cursos de vela oceânica são ótimos, mas indico a experiência nos monotipos como complemento para apurar a técnica. É o caminho que faz mais sentido, mas nem sempre a pessoa quer se molhar, virar barco, passar frio, entrar em águas poluídas, etc. Poderá até se escapar no começo e iniciar direto no oceano, mas não vai se escapar mais tarde, quando a hora chegar de verdade. Se não o fizer não será o fim do mundo, mas sempre é uma experiência a mais!
Mais tarde: adquirir um barco preparado para as águas que você deseja navegar, aprender a confiar nele em condições acima dos 40 nós, sair para o mar diversas vezes com condições diversas de tempo e vento, adquirir conhecimentos de elétrica, hidráulica, mecânica de motor, primeiros socorros, homem ao mar, reboque, combate a incêndio, sobrevivência no mar, fibra, costura de velas, marinharia, carpintaria, meteorologia, navegação eletrônica, navegação estimada, navegação astronômica, etc, etc, etc, etc, etc...
Voltemos para a Barra de Rio Grande! O desvio de rota foi grande...
Tudo combinado então! Tem que ser prazeroso pra todo mundo ok?
O mar está bem próximo e as ondulações de SW já começavam a mostrar força dentro do canal. Na saída muitos golfinhos acompanharam o barco dando as boas-vindas.
Vela grande rizada na segunda forra e a genoa enrolada em 1/3.
Cruzamos o farol às 10h15 e a partir dali foi só emoção. As ondas e o vento estavam exatamente como a previsão indicava.
Velejamos de contra-vento por quase 20 milhas no rumo magnético 180. Vento acima dos 25 nós e médias de velocidade superiores a 7,5 nós, excelente para aquelas condições.
Tentávamos ganhar altura para garantir um retorno tranqüilo e sem cambadas. Errar a entrada do canal com aquelas condições poderia nos custar caro.
O vento forte e as ondas grandes e picadas, proporcionavam subidas e descidas radicais, mas ao mesmo tempo silenciosas. O barco não batia nada! Muito redondo e bastante confortável. Mais uma vez o Wind 34’superou as expectativas!
Todos os tripulantes tiveram a oportunidade de timonear. Fiz trocas a cada meia hora e o tempo literalmente voôu, assim como o barco.
Lá fora, 20 milhas mais tarde, demos uma cambada e iniciamos o retorno para o canal.
Na volta, com vento ainda contra, mas com ondas mais a favor, o 34’ velejava entre 8,5 e 9 nós. Volta e meia eu pedia para o timoneiro da vez arribar e surfar um pouco. Só não surfamos mais por causa do barlavento. Havíamos colocado algum barlavento na poupança e não dava pra abusar muito!
Chegamos voando na barra e logo o mar desapareceu. A conta do barlavento foi correta e a entrada foi perfeita! Missão cumprida!
Velejamos para dentro  até o início dos molhes do lado da Praia do Cassino. Procurei um lugar para fundear e no caminho achei um trapiche de pescadores.  Ali, aproados ao vento, amarramos um cabo de proa e ficamos... Churrasco na barra!  Comemoramos nossa velejada no mar de Rio Grande! Comemoramos a parceria e a bravura dos tripulantes!
Depois do assado, arrumamos a bagunça e fomos novamente para o mar. Ainda havia tempo para mais uma velejada lá fora. O vento havia diminuído um pouco, mas o mar não.
Golfinhos e mais golfinhos, barriga cheia e a tranqüilidade no ar... Foi assim até o farol! Pegamos algumas ondulações de proa e cambamos para dentro novamente. O dia fechava com chave-de-ouro. Agora é clube!
A noite caia e a lua cheia explodiu no horizonte, linda e radiante.
O vento diminuiu muito e tivemos que ligar o motor.
Barco atracado às 19h. Banho quente, jantar a bordo, conversas, risadas, troca de experiências e cama.
O despertador tocou às 5h30. Domingo seria um dia mais curto e teríamos que sair cedo. Saímos do clube a motor ainda com a noite fechada. Fiz o café com o barco navegando. Nada de perder tempo em terra, já que são duas horas de navegada até o mar.
O frio cortava mais do que no sábado. A sensação térmica era um pouco maior (2 a 3 graus), mas a umidade do ar estava maior e o bicho estava pegando.
Passamos pelo porto velho e junto de nós os primeiros pesqueiros movimentavam-se rumo ao mar.
Tivemos que motorar até lá fora. A vela grande estava toda para cima e a genoa permanecia enrolada. O mar havia baixado para 1,5 metros e o vento era de 4 nós.
Fomos para o lado do Cassino, onde a ondulação entrava paralela aos molhes e depois rumamos para o lado de São José do Norte, até próximos da linha da arrebentação, lá no final dos molhes. No lado de São José a ondulação estava mais comportada em função da proteção dos molhes.
O vento não entrou e por isso voltamos para a barra. Depois que entramos no canal, uma brisa de W apareceu e desligamos o motor. Genoa aberta, corrente a favor e o barco deslizando  calmamente com 2,5 nós. Já não havia mais pressa. Estávamos totalmente dentro da programação e pudemos tomar calmamente um chimarrão com bergamotas. Golfinhos nos acompanhavam novamente e resolvi colocar o bote na água para fazer umas fotos do lado de fora. Só alegria!
Às 11h ligamos o motor e rumamos para o clube. A idéia era pegar a estrada até às 15h.
No rumo de casa e à uma hora de distância começou a fumaça! Não do motor e sim do carvão... Churrasco 02!
Enquanto eu assava, os tripulantes arrumavam todo o barco e suas mochilas. Havíamos colocado tudo para secar ao sol. Adocei o bote e alguns impermeáveis e também os coloquei ao sol.
A carne ficou pronta um pouco antes do Porto Velho e dali em diante diminuímos a velocidade para dar tempo de almoçarmos com calma antes da chegada ao Iate Clube.
Chegamos às 13h30 e logo começamos o desembarque das  nossas coisas.

Na semana que vem, dia 28 de junho, saio de Rio Grande rumo a Porto Alegre com outra turma de alunos, terminando a programação de travessias do primeiro semestre.

O mês de julho será dedicado à manutenção preventiva do barco e em agosto retomaremos o calendário com travessias, cursos e regatas.

Até lá!

quinta-feira, 20 de junho de 2013

quarta-feira, 19 de junho de 2013

Bolsa de Tripulantes - RISW 2013

Fonte: www.risw.com.br


Ilhabela (SP) - A Rolex Ilhabela Sailing Week 2013 tem espaço para os velejadores que não têm equipe. A Bolsa de Tripulantes, um serviço que tem o objetivo de encaixar os atletas em um barco para disputar o maior evento de vela oceânica da América Latina, de 6 a 13 de julho, no Yacht Club de Ilhabela (YCI). Os interessados devem se cadastrar e informar, entre outras coisas, suas experiências e funções preferidas a bordo. 
"A vela oceânica é uma modalidade que premia o trabalho em equipe. Por isso, todas as posições no barco como proeiro, trimmer, tático, navegador e secretaria precisam estar em sincronia e ter um tripulante específico para exercer a função. Muitas vezes sempre falta um para completar o grupo e ter acesso ao currículo dos velejadores é uma vantagem para os times que irão participar da Rolex Ilhabela Sailing Week", diz Cuca Sodré, coordenador da Comissão de Regatas do evento, que chega à sua 40ª edição em 2013. "A maioria das classes de rating, as que precisam de fórmula para calcular o vencedor, como ORC, RGS e IRC, contam com barcos grandes, exigindo vários velejadores".
Mais de 100 velejadores já colocaram seus perfis na página da Rolex Ilhabela Sailing Week e aguardam serem recrutados. Um deles é Jefferson Cohen, de 37 anos. "Já fui campeão do evento em 2006 correndo de Delta 32 e tenho no currículo títulos paulistas da classe. Além dela, já integrei equipes na RGS e ORC. Meu objetivo é entrar em um barco maior e ganhar experiência. Tenho experiência em todas as funções da embarcação", relata o velejador de Ilhabela.
"A ideia do espaço é encontrar o tripulante ideal para completar a tripulação e não ficar de fora da Rolex Ilhabela Sailing Week", reforça Kiko Moura, da B1 Marketing e desenvolvedor do site oficial. Na página da regata, o velejador tem acesso às notícias do evento, imagens, local para inscrições, diário de bordo e outras informações.
Veleiros ainda podem se inscrever - As inscrições seguem abertas no site www.risw.com.br . Os veleiros que ficarem em seus clubes de origem, outros clubes com eles conveniados, com amarras próprias ou alugadas terão 25% de desconto. Neste caso, os valores serão de R$ 240,00 até 15 de junho. A partir daí, o custo será de R$ 300,00. Os valores das inscrições para os barcos que queiram ficar em poitas ou amarras do Yacht Club de Ilhabela são os seguintes: R$ 320,00 até 15 de junho e, de 16 a 30 de junho, passa para R$ 400,00.
Todos poderão visitar a página da Rolex Ilhabela Sailing Week e ver os avisos de regata, resultados das últimas temporadas, fotos e muito mais. Outra novidade é a Fan Page do Facebook, que pretende ser um ponto de encontro virtual da comunidade náutica envolvida no evento.
Fan page quer resgatar a história do evento - a 40ª edição da Rolex Ilhabela Sailing Week já colocou no ar o site oficial - www.risw.com.br - e também a Fan Page do Facebook.
O objetivo da fan page é dar informações privilegiadas sobre o evento, colocar fotos dos barcos que fizeram a história dos 40 anos e também quer a ajuda da comunidade náutica para resgatar os primeiros anos da competição.
Quem tiver histórias saborosas, fotos antigas de barcos participantes ou mesmo resultados dos primeiros anos poderá mandar pela fan page ou pelo e-mail redacao@zdl.com.br.


Principal evento náutico esportivo da América Latina, a Rolex Ilhabela Sailing Week tem patrocínio titular da Rolex e patrocínios da Mitsubishi Motors e Bradesco Private. O evento tem apoio da Marinha do Brasil, Prefeitura Municipal de Ilhabela, Confederação Brasileira de Vela (CBVela), ABVO e das Classes ORC, HPE, C30, S40 e RGS, entre outros. A organização, sede e realização são do Yacht Club de Ilhabela (YCI).

Batismo de Mar - Travessias 2013


terça-feira, 18 de junho de 2013

Diário de Bordo - Travessia Tapes - Rio Grande

Relato da viagem de Tapes a Rio Grande a bordo do veleiro Oceano VI realizada nos dias 14 e 15 de junho de 2013.

Previsão do tempo :
A maioria dos sites indicava  vento S com mais de 20 nós para a sexta, dia da saída.
A virada para SE estava prevista para após às 00h do sábado, passando para E no decorrer do dia.

Eu e o Kauli chegamos a Tapes na sexta-feira às 10h para adiantar os abastecimentos e revisões. Os outros tripulantes (Leonardo, Rodrigo e Roberto) chegariam às 14h30.
O horário previsto para a saída era ás 17h30 e depois da chegada do outros tripulantes continuamos os preparativos. Roberto e Rodrigo prepararam os sanduíches enquanto eu fazia o jantar. O vento estava forte e lá fora as ondas ultrapassariam 1,5 metros com facilidade. O mais sensato era cozinhar enquanto tudo estava calmo.
Depois da preparação da comida iniciamos o plano de navegação. Sempre tenho meus planos prontos, mas faço questão de que todos os tripulantes  pratiquem e se apropriem de tudo antes da saída. Mais tarde, se perguntado, todo mundo sabe de cabeça o rumo, as distâncias e os tempos médios das pernas.
Tudo ok. Vamos partir. São 17h30 em ponto. Aproveitemos a luz para passar pelo canalete do clube. Sem ela a situação se complica, pois as laterais são rasas e encalhar na saída não é nada auspicioso...
O vento sul começou calmo por volta do meio-dia, confirmando a previsão. Com ele veio um cinza escuro de chuva. Parecia chover nas cidades do entorno, mas nenhum pingo caiu em Tapes.
Perto das 15h as rajadas já chegavam a 18 nós e a temperatura despencava rapidamente. Pedi para que todos deixassem à mão seus equipamentos de frio e água (casacos e calças impermeáveis, luvas e gorros), já que a navegada seria longa, fria e desgastante...
Saimos a motor e fomos com ele até lá fora com ondas que passavam de 1 metro com séries maiores..
A noite caiu rapidamente. Velejávamos com a vela grande rizada na primeira forra e com a genoa toda aberta. Tínhamos mais de 20 milhas de contra-vento pela frente até o farolete dos  Desertores e dos Desertores para frente, pelo menos 15 milhas até Dona Maria, ainda de contra-vento.
A condição estava realmente dura. As ondas da série já alcançavam 2 metros e a tocada no contra-vento estava muito técnica. O barco não terminava de sair da onda e já vinha outra quebrando em cima. Parecia pequeno o 34’ para aquela condição. Já havia pegado mares bem maiores com outro Wind 34’ em Salvador, mas nas vagas grandes a velejada acaba sendo muito mais suave.
O vento de 25 nós chegava aos 30 nas rajadas e com isso a sensação térmica permanecia constante, perto do zero graus (temperatura ambiente de 10 graus x 25 nós de vento).
Próximo das 22h já havia altura para cambar e passar pelo Desertores, mas em virtude da dureza do contra-vento e do frio resolvi refletir...
Meu plano inicial era velejar toda a noite para chegar ao Canal da Feitoria antes do meio-dia. O canal é feito somente de dia e do seu início até Rio Grande são pelo menos 06 horas (se você fizer tudo certo e não encalhar).
Estávamos a menos de 2 horas de um bom abrigo de Sul e talvez fosse uma boa darmos uma parada para o  reaquecimento do corpo.
Foi então que rumamos para o Cristovão Pereira, um antigo farol com 127 anos de idade e 28 metros de altura. A sua enseada oferece abrigo de SW a E.
Baixamos as velas e motoramos até a enseada. Âncora, capuccino e cama! Fiz umas contas rápidas antes de deitar e concluí que tínhamos não mais de 3 horas de descanso (por causa da distância até a Feitoria – 60 milhas).
Despertador para às 3h da madrugada.
3 horas mais tarde soa o despertador!
Maravilha de descanso. Pareceu uma noite inteira de sono.
Mal tocou o despertador e eu pulei lá pra fora direto no motor. Levantei o ferro com todos ainda lá em baixo e tratei de acelerar.  Não tínhamos tempo a perder. Um atraso na entrada da Feitoria pode significar um erro estratégico enorme. Os navios costumam ficar ali em volta da bóia de acesso do canal esperando amanhecer para seguir viagem. Com cerração, ninguém vai! Para um navio é fácil ficar no meio do nada, sem proteção de vento e ondas, mas para um veleiro de médio porte não é bem assim.
O plano C, se desse algo errado no horário de chegada, era entrar em Pelotas para o pernoite e sair no domingo cedo.
Contornamos a bóia do banco em frente ao Farol Cristovão Pereira a motor e seguimos com ele por mais algumas milhas tentando ganhar altura para diminuir o número de cambadas até Dona Maria, 11 milhas ao sul. O vento cedeu e quase parou e por isso tivemos que permanecer no motor por mais umas duas horas. O céu estava completamente limpo e as estrelas ditavam o rumo, com Dona Maria no Rmg 215.
Por volta das 5h o vento SE entrou com uns 12 nós e desligamos o motor. Uma velejada clássica, porém gelada. Começamos os mini-turnos quando saímos do Cristovão. Se fosse numa travessia normal ninguém dormiria de vontade de ficar acordado para curtir, mas com o frio que estava era importante que cada um, em seu respectivo turno estivesse zerado e aquecido. Qualquer vacilo na navegação por causa de sono pode custar caro na lagoa.
O dia amanheceu nublado junto ao horizonte e o sol demorou em aquecer. A esta altura estávamos próximos do banco do Vitoriano e aos poucos o vento foi diminuindo. Ligamos novamente o motor para auxiliar as velas e para manter uma média de pelo menos 6,5 nós.
Com esta velocidade chegaríamos à Feitoria (25 milhas depois) por volta das 13h e tudo ocorreria como planejado inicialmente.
Conforme o sol subia, mais clara a água ia se tornando, até estacionar num  lindo tom  verde claro.
E com o sol veio o descongelamento gradual de nossos corpos... Sem exagero nenhum!
A manhã passou voando. Nos  entretemos muito com a aproximação de alguns navios saindo e entrando da Feitoria e também com o fogo que eu havia colocado no carvão.
A Feitoria não é o melhor local do mundo para se assar uma carne, mas depois daquela noite  gelada achei que os tripulantes mereciam um assado para renovar o espírito.
Um olho na carne e o outro no eco e no GPS. Toda a atenção a partir de agora é pouca. As bóias e demais marcas do canal se confundem facilmente com as estacas cravados pelos pescadores. Eles batem suas estacas na margem do canal e às vezes dentro dele. Muitas colisões com estacas já ocorreram nesta região e por isso não podemos dar mole.
Tínhamos 03 GPSs ligados (dois com cartas da Garmin e um com carta Navionics), mais o ecobatímetro.
A carta náutica de papel estava junto de nós no cock-pit e volta e meia era consultada. Os erros das cartas da Navionics e da Garmin existem e não são pequenos na Feitoria.
Muitas vezes as cartas diziam que estávamos completamente fora do canal e na verdade (no visual), não estávamos. Por muitos momentos, o erro de cada uma das cartas era diferente e por isso o eco e os alinhamentos acabaram nos ajudando bastante.
Com as velas em cima e calçados no motor, cruzamos a entrada do Canal São Gonçalo em Pelotas por volta das 16h. Ainda havia umas duas horas de luz pela frente, tempo “quase” suficiente para chegarmos a São José do Norte.
A aproximação noturna de São José é bastante delicada e deve ser feita em baixa velocidade. Diversas estacas estão espalhadas dentro do canal . A própria carta de navegação coloca os avisos de precaução na região.
A noite caiu e como as estacas estariam mais a boreste decidi enrolar a genoa para facilitar a visualização (amuras a bombordo).
Ali estavam elas novamente, com mais de 2 metros acima do nível da lagoa e em grande número. Cruzamos com dois navios bem perto das estacas. Deixamos o primeiro por bombordo e o segundo por boreste, a fim de garantir a segurança.
Rio Grande estava logo à frente e a boreste. Só faltava contornar o canal e rumar para cima do porto. Passamos pelo gigante navio plataforma Petrobras 58 (em construção) e batemos algumas fotos do monstro.
A esta altura o relógio marcava 19h e dali até o Iate Clube de Rio Grande ainda tínhamos mais  3 milhas a motor.
Em baixa velocidade e com a sensação de dever cumprido, chegamos ao clubei às 20h, exatamente 26 horas e meia depois da saída de Tapes.
Depois de atracar o barco, demos uma ajeitada em tudo e saímos para jantar. Afinal era noite de sábado e tínhamos muito a comemorar...
Na sexta-feira estaremos aqui novamente para mais um trecho da “Missão Travessias na Lagoa dos Patos”. Desta vez vamos ao mar. Sairemos pela Barra de Rio Grande e velejaremos lá fora durante todo o dia de sábado. Entraremos para dormir dentro da barra e no domingo mais uma velejada lá fora. Sucesso pra todos nós!

Agradecimentos especiais e parabéns pela bravura:
Leonardo, Kauli, Roberto e Rodrigo.

Porto Alegre, 18 de junho de 2013

Professor Marcelo Lopes




segunda-feira, 17 de junho de 2013

Imagens da Travessia Tapes - Rio Grande

24 horas de velejada com ventos de 30 a 05 nós e sensação térmica variando de 05 a 32 graus.
Água, muita água pela frente...
Curtam as imagens e amanhã posto o relato.

E na semana que vem tem velejada no mar!

Por Marcelo Lopes

















quinta-feira, 13 de junho de 2013

Arrais Amador - turma de JUNHO

Quando: dias 25, 26 e 27 de junho
Horário: das 19h30 às 21h30 (aulas teóricas)
Aulas práticas: dias 26 e 27 de junho
Horário: das 15h às 18h
Onde: Clube dos Jangadeiros
Inscrições: (51) 3268.0080 ramal 224 (com Sra.Iara)
Instrutor: Marcelo Lopes

quarta-feira, 12 de junho de 2013

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Wind 34' lidera na ORC em Ilhabela - Copa Suzuki

Nessa foto o Tangaroa na frente do Orson e do Jazz, dois Malbec 360 de fabricação argentina. Quatro regatas com dois 1° lugar e dois 3°, o que nos garantiu o 1° lugar nesse fim de semana.

quinta-feira, 6 de junho de 2013

sábado, 1 de junho de 2013

Agenda junho e agosto

E as Travessias continuam...