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terça-feira, 21 de maio de 2013

Relato da Travessia POA - Tapes


Por Marcelo Lopes

Após 2 semanas de preparativos chegou a hora de partir.
Tudo ok para mais uma travessia na Lagoa dos Patos.
Tapes é o destino. 06 ripulantes e eu.
Previsão do tempo ok, barco abastecido e todo revisado. Estamos saindo!
São 10h da manhã do sábado dia 18 de maio.
Saída do VDS com tempo nublado, mas sem chuva e com previsão de vento para perto do meio dia.
A bordo: Kauli, meu filho, os irmãos Rodrigo e Roberto, Rubens, Juliano e Pétros.
Motoramos até a Ponta Grossa com o Rubens no leme e os demais lá dentro, com uma instrução de carta náutica.
A rota POA – Tapes, assim como o plano de navegação estão criados a muitos anos e não sofreram alterações significativas, mas faço sempre questão de que todos aprendam a criar os waypoints e também a preencher um plano de navegação completo.
No caminho até Tapes temos várias obstruções e é sempre bom que o pessoal vá se acostumando.
Lá fora, o vento SSE apontava no horizonte e quando entrou, perto das 11h30, já foi direto para os 8/10 nós.
A previsão indicava SE a NE com intensidade que não passaria dos 15 nós.
Navegávamos bem, com velocidade de 5 a 6 nós até a Ilha do Chico onde fundeamos para o almoço.
Uns 20 minutos antes da parada coloquei fogo no carvão e ao mesmo tempo as linguiçinhas no forno para dar uma adiantada.
Do forno, quando já estão meio prontas, coloco-as na churrasqueira para dar aquele gostinho e carvão. Isto ajuda a poupar espaço na churrasqueira...
Depois do almoço dei uma organizada em tudo e suspendemos a âncora, seguindo para o próximo wypoint chamado “Cotovelo”.
O vento roundou para SE e ganhou mais força, passando dos 08’/10’ para 12’/14’.
Da Ilha do Chico até o Cotovelo são 8 milhas. Fizemos a perna em 2 horas com vento contra e dando várias cambadas próximas ao canal.
No caminho até o Cotovelo cruzamos com dois navios e com um veleiro de 36 pés. Foram as únicas embarcações vistas durante todo o dia. Só mais tarde, quando já estávamos na Lagoa é que cruzamos com outro navio.
Como a previsão do final de semana não era boa nenhum velejador quis se molhar.
A previsão de chuva para a noite e madrugada assutou até o pessoal do Jangadeiros que havia marcado um luau dos cruzeiristas ( o evento foi cancelado).
O vento SE foi cedendo espaço para o E quando navegávamos próximos da Ilha do Junco, confirmando a previsão para o sábado.
Como era final de tarde e ainda havia umas duas horas de luz decidi mostrar as praias do Parque Estadual de Itapuã antes de seguir para Tapes.
O acesso às praias do Tigre e de Fora exige luz, pois sem ela é fácil ficar preso em uma das muitas redes de pesca existentes. De fato foi o que encontramos. Contei 04 redes até a chegada na Praia de Fora.
Passamos por todas sem maiores problemas. Ao avistar as marcações com bandeira, rumávamos bem no meio delas, contando com o seio formado no cabo superior  para safar nosso calado de 1,60m.
Depois de uma rápida bordejada pelas duas beldades do Parque (beldades do lado da Lagoa, pois existem outras do lado do Guaíba) perguntei aos tripulantes se eles preferiam retornar ao Guaíba para o jantar e descansar na Praia do Sítio, como previsto inicialmente, ou tocar direto para Tapes e tentar “enganar” a chuva.
Democraticamente decidimos tocar direto e não nos arrependemos da escolha. O vento firmara de E com uns 15 nós. O barco velejando a 7 e 7,5 nós... Não dava pra perder a oportunidade que este vento fora de época estava nos dando. A previsão para o início da madrugada era de parar o vento e entrar a chuva, daí já estaríamos abrigados e dormindo no Pontal de Santo Antônio.
Depois de safar as redes, já no rumo do Pontal, fui à cozinha preparar o jantar.
Tínhamos no mínimo 05 horas de lagoa batida com 1m de onda e colocar comida quente no estômago era necessário para evitar o enjôo da tripulação.
Velejamos das 17h às 22h quando chegamos no través do Pontal. Já dava para começar a arribar e um jaibe seria necessário. De repente o barco diminuiu de velocidade e ficamos sem leme. Pensei rápido: sem leme é impossível! Este leme é à prova de quebras no sistema. Só pode ser uma rede.
Pedi uma lanterna e o crock e fui conferir. Era uma rede de superfície, daquelas cheia de bóias em cima. A rede estava presa na quilha e por muita sorte não havia passado para a rabeta do motor.
Puxei a parte de cima com o crock e amarrei na pilastra de bombordo. Catei a parte de baixo e comecei a cortá-la. Foi fácil! A faca era boa e o barco estava livre. A operação não durou mais de 5minutos. Normalmente tenho que mergulhar para completar o serviço mas dessa vez não foi necessário.
Lembro de uma rede que peguei em Vitória –ES que era de cabo de aço da grossura de um dedo. Na ocasião tínhamos uma alicate de corte a bordo e foi ele quem resolveu o problema.
Baixamos a vela grande e enrolamos a genoa. Seguimos a motor até o abrigo do Pontal, onde fundeamos para o pernoite.
A chuva tocou na madrugada quase sem vento. Lá de dentro aquele barulinho da chuva parecia música.
Acordei às 6h e fui dar uma remada para fazer as fotos do barco e do Pontal. Entrei em um acesso que eu acredito que poucas pessoas tenham entrado devido ao calado. Só com um barco à remo ou com um caiaque para acessar aquele lugar maravilhoso.
Utilizo uma prancha de windurf de plástico injetado como SUP e com ela consigo me deslocar a lugares nada comuns.
Retornei para o barco e em seguida suspendemos a âncora, rumo ao nosso destino final.
O café foi servido com o barco velejando. Vento SW de 06 nós bem tranqüilo. Chegamos em Tapes às 10h30.
Missão cumprida!
Deixei o pessoal arrumando as coisas e peguei um táxi até a rodoviária para providenciar as 05 passagens de volta. Eu e meu filho permaneceríamos a bordo até a segunda-feira para deixar o barco arrumado para o próximo final de semana.
Dia 14 sairemos de Tapes rumo a Rio Grande.
Até lá!