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Prof. Marcelo Visintainer Lopes
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domingo, 11 de dezembro de 2011

Módulo IV - parte 02

Terminado o almoço e o banho de rio, recolhemos a âncora e subimos as velas, rumando para o oeste a fim de safar as pedras da Ilha do Chico. O contorno da Chico deve ser feito com cautela e, na dúvida sempre mais por fora. A ilha é conhecida pelas pedras que brotam de norte ao sul pelo lado oeste, tornando a navegação perigosa para quem não conhece as pedras. Muitos e muitos veleiros e lanchas têm abalroado estas pedras ao longo dos anos. Vários naufrágios e muitos acidentes graves já ocorreram naquele lugar, principalmente pelo desconhecimento sobre os perigos eminentes que existem no fundo.
O vento e as ondas havia aumentado. O sudeste já beirava os 18/20 nós e o nosso objetivo estava exatamente contra o vento.
Passado o risco das pedras cambamos e seguimos velejando numa orça forçada para o Morro do Côco, situado bem em frente à Vila de Itapuã.
Com o barco andando rápido e passando tranquilamente pelas ondas curtas do Guaíba, alcançar o Côco se transformara em diversão. O que antigamente era penoso e cansativo (com o 26 pés), agora parecia um parque de diversão.
Viver a bordo de um veleiro como este estava sendo uma experiência incrível. Já havia navegado em outros barcos maiores e similares, mas nunca havia imaginado um dia poder usufruir de tanto conforto em uma velejada. Sei que lá fora as pessoas navegam com todo o conforto proporcionado pelos grandes estaleiros, mas a realidade do mercado nacional sempre foi inferior ao padrão internacional.
Quando alcançamos o través do Morro demos uma cambada e aí sim, estávamos definitivamente no rumo do cotovelo de Itapuã, ponto em que teríamos que chegar para acessar o Farol de Itapuã e, posteriormente, a saída para a Lagoa dos Patos.
Ao chegar no cotovelo, depois de quase uma hora de velejada após o Morro do Côco, acessamos o canal que dá acesso à lagoa.
O trecho é incrivelmente belo e pode ser comparado a muitos outros lugares de destaque no mundo náutico. Os morros são, na sua maioria, altos. Variam de 152m a 242m e as profundidades alcançam todos os records do Guaíba, alcançando medias de 30m em alguns locais próximos ao Farol e também próximos à Ilha do Junco. Em frente à ilha existe uma fossa com 64m de profundidade.
Ao aproximar da barra do Guaíba, local onde o rio e a lagoa se encontram, preparamos um brinde com chá gelado para comemorar o feito de chegar na respeitada lagoa.
Taças prontas, câmeras no ponto e brinde!!! Entramos na Lagoa dos Patos. O relógio marcava 18h30 e havia pelo menos mais duas horas de luz...
A Lagoa estava com o vento assobiando. 30 nós de sudeste e ondas com mais de 1m. O barco subia e descia aquelas belas ondas dando a sensação de pura liberdade.
Navegamos de contra-vento, agora em orça folgada. Resolvi orçar um pouco para, na volta, poder pegar um popa e colocar o barco a favor das ondas. O motivo da escolha pelo rumo contra com volta a favor era o de fazer os alunos experimentar os dois ventos na mesma condição de vento e onda. Enquanto navegar contra o vento exige atenção nas birutas da genoa, no popa, com ondas, a atenção vai toda para o rumo, já que a proa tende a sair do rumo a todo o instante.

Praia do Sítio

Praia do Sítio

Lagoa dos Patos com 30 nós

Conseguimos pegar 48,8 metros na Fossa de Itapuã. No local a profundidade é de 64m

Na próxima postagem fecharemos a história...

Por Marcelo Lopes