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Prof. Marcelo Visintainer Lopes
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domingo, 12 de dezembro de 2010

Final de semana de Módulo IV – Lagoa dos Patos

A previsão do tempo previa muita chuva para o final de semana. Desde segunda-feira acompanhávamos os principais sites meteorológicos disponíveis.
Nosso horizonte não era dos melhores em função do volume de chuva previsto: mais de 10mm para o sábado e algo em torno de 60 a 90mm para o domingo com ventos de norte a noroeste para os dois dias.
Na terça, quarta e quinta o volume previsto de chuva não sofreu grandes variações, mas o vento passara para oeste a sul no domingo, com início previsto para o meio da tarde em diante com velocidade variando entre 20 e 35 nós.
Como o curso encerra às 13h do domingo, passaríamos longe do vento forte.
Confesso ter vacilado por alguns instantes na quinta-feira. Navegar com chuva o tempo inteiro não é das coisas mais agradáveis. Tá certo que o curso é de módulo avançado, mas nunca devemos perder de vista o prazer e o conforto.
Resolvi me antecipar e saber logo se o pessoal estava a fim de encarar o caldo grosso da previsão. Como estavam todos de acordo acabei confirmando a realização do curso.
No sábado às 8h estavam todos no Jangadeiros: Luis Viecelli, Sérgio Spadoni, Marcelo e Lucas Nunes, Ribamar Garcez e eu. Depois da montagem do barco fomos para a carta náutica dar uma olhada na navegação estimada. Pegamos todos os pontos de nossa rota para a lagoa, inclusive com os pontos de pernoite nos casos de planos “b” ou “c”. Observamos também a régua de profundidade do Guaíba. Estava marcando o nível zero, isto é, nenhuma gota de água acima daquilo previsto na carta náutica (atenção redobrada com os bancos de areia).
Às 9h30 deixamos o canalete do clube e partimos para o sul.
A previsão de vento e chuva não se confirmaram. Saimos com vento norte de 5 nós. Colocamos o balão e navegamos com ele por algumas milhas, quando o vento deu uma caída.. Motoramos por quase uma hora até o vento noroeste aparecer com mais força. Preparei o almoço na altura da Ilha do Chico. Arroz, frango com alcaparras e salada marinheira fizeram nosso primeiro e importante lastro no estômago. Não sabia ao certo a força do vento que encararíamos dali para frente e reforçar o almoço era vital para evitar as surpresas do “estômago vazio”.
Deixamos a Chico por boreste e navegamos até Itapuã. A esta altura o vento havia rondado novamente para norte, subindo para uns 12 nós. Nosso 1º objetivo era conseguir chegar ao Clube Náutico de Itapuã para desembarcar o Marcelo Nunes e seu filho Lucas. No domingo Nunes estava de aniversário e não permaneceria a bordo.
O canalete de acesso ao clube estava seco e logo demos uma encalhadinha. Desencalhe faz parte do programa deste curso, então vamos lá: todo mundo prá borda e motor dando uma força. Por sorte nossa amiga Tina estava na ponta do trapiche e deu a dica para retornarmos um pouco e entrar junto à margem de boreste. Passamos a 1m das pedras e a não mais de 3 metros da margem de areia para conseguir acessar o trapiche.

Tripulação completa minutos antes do desembarque em Itapuã

Deixamos nossos dois tripulantes e rumamos para o Farol de Itapuã, deixando a Ilha das Pombas por bombordo. O vento começou a diminuir. Estava rondando novamente. Passou do norte para noroeste, onde acabou se acomodando.
Às 16h30 passamos pela barra do Guaíba e fizemos o tradicional brinde e batismo dos novos marinheiros da Lagoa dos Patos. O tempo estava firme e nem sinal daquela chuva informada pelos amigos da meteorologia.
Após o batismo rumamos para a Praia de Fora e depois para a praia do Tigre, onde fundeamos para o banho de lagoa e fotos.

Chegada na barra do Guaíba

Batismo de lagoa

Início do costão oeste da Praia do Tigre

Praia de Fora

Praia do Tigre

Oceano fundeado no Tigre

Praia do Tigre

Praia do Tigre

Praia do Tigre

Ponta da Formiga

Ilha do Barba Negra pela proa

Tripulação no retorno para o Guaíba

Do alto das cruzetas

Farol de Itapuã pegando fogo no final de tarde

Quadro pintado à mão. Farol de Itapuã e Ponta da Formiga ao fundo

Dali orientamos a proa para a Ilha do Barba Negra e como a previsão do vento forte poderia antecipar resolvemos navegar durante a noite, buscando um bom abrigo para o pernoite.
Navegamos quase até o través da Ponta da Formiga e retornamos para o Guaíba. O vento virou novamente de norte e entramos no Guaíba de contra-vento. Demos um bordo para a Praia do Sítio para o pessoal conhecer pessoalmente as belezas que tanto falo. O bordo seguinte deu na cara da Ilha do Junco e em mais duas cambadas já estávamos com nosso objetivo próximo da proa. O céu, que até então apresentara cobertura de nuvens deu espaço para as estrelas e para a lua, que logo clareou a noite, deixando seu reflexo bem no rumo de proa.
O vento subiu dos 12 para 16 e depois para 18 nós. Genoa 2, grande rizada na 2ª forra e travler a sotavento formaram a regulagem ideal para aquelas condições.
Chegada na Chico: meia-noite em ponto. Só havia um barco atracado na Ilha.
O aluno Luis Viecelli levou um pernil de javali assado na brasa e um pão feito em casa. Não preciso nem dizer como estava!! Comemos como reis.
Navegamos por 15 horas e meia e o cansaço nos fez dormir como anjos. Realizamos durante o dia mais de 50 manobras de “homem ao mar”. Rizamos inúmeras vezes a vela grande. Subimos e baixamos a genoa algumas dezenas de vezes. Cambamos e jaibeamos até cansar. Realizamos muitas manobras e fainas a bordo. O resultado foi um dia duro, mas muito produtivo.
Deixamos o trapiche da Ilha por volta das 6h da manhã e o vento, que parou na madrugada, resolveu dar as caras com uma brisa de norte com- 5 nós.
Contornamos toda a Ilha em vez de sair direto para o noroeste. Era muito cedo para iniciar o caminho de volta e por isso resolvemos dar toda a volta na Ilha.
O vento permaneceu fraco pelo resto da manhã e próximos da Ponta Grossa o noroeste entrou com boa velocidade (10 - 14 nós), permitindo um belo contra-vento.
Por volta das 11h30 chegamos ao clube. Arrumamos todo o barco e fomos baixar as fotos da viagem. Entreguei os certificados de conclusão e me despedi da tripulação que já fazia planos para o nosso próximo curso em Florianópolis.
Em janeiro realizaremos módulos intensivos de 1 final de semana. A idéia é não prender ninguém por dois finais de semana seguidos. Até lá...


Por Marcelo Lopes