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Marcelo Visintainer Lopes
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segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Salvador - Vitória. Parte 3.

Os dois barcos abaixo são os barcos citados na postagem anterior. Encontravam-se fundeados em Abrolhos.

Fotos: André Larréa

Este é o barco do amigo Digão (o mecânico..)

Veleiro Solaris do comandante Nick (auxílio incansável nas fonias do vhf)

Enquanto o Digão, eu e o Carlos Fiad ficamos na volta do motor, Leandro e Larréa desembarcaram a convite do Digão, já que o pessoal embarcado no Titan havia recebido autorização da Marinha local para a visitação. Não havia razão para ficar todo mundo a bordo. Se não fosse a função do motor eu e o Carlos também teríamos desembarcado. Larréa fez vários clics de cima do farol. O momento da subida ao farol coincidiu com a hora exata do acendimento da sua luz. O farol é uma estrutura metálica nas cores preta e branca e foi fabricado na França.
Quando a noite caiu levantamos a âncora e partimos para mais uma perna. Era a última delas.
O Solaris informou que levantaria âncora horas depois de nós. Navegaríamos até Vitória com a sua companhia pelo rádio VHF.
O vento havia baixado um pouco. Caia para uns 20 nós. Deixamos Abrolhos por bombordo e partimos de contra-vento.
Durante toda a noite o vento ficou mais ou menos constante e com ondas de 1m, rendendo uma navegada confortável e sem muitas pancadas. A velocidade variava entre 5 e 6 nós.
Quando amanheceu o vento diminuiu, fazendo a velocidade cair para entre 3 e 4 nós.
Como a próxima frente estava se aproximando, sabia que aquela queda de vento já era o aviso do avanço da frente.
Passamos um dia meio boiando. Tomamos banho de mar, mergulhamos, vimos uns vídeos na TV, enfim... Foi uma manhã e uma tarde tranqüila. Aproveitamos cada gota daquele mar fantástico.
Lá pelo meio da tarde avistamos no horizonte a frente fria que havia passado. O sol aparecera logo atrás dela. Já eram umas 16h30 e o sol já dava ar de se pôr.
A frente tomada conta de todo o horizonte, de oeste a leste. É muito lindo de se ver uma massa de ar seco que está passando. Esta nós deixamos para trás!

Atrás da massa de ar que estava passando abriu-se uma brecha para que o sol pudesse nos dar um olá.
Contemplávamos o sol caindo e ao mesmo tempo observávamos a nova frente fria que se anunciava. Ela fechava o horizonte de oeste a leste, por cima de todo o oceano. Uma havia passado e a outra estava entrando. Eu esperava por este momento...
O cenário não era dos mais acolhedores. Sabia do trabalho que iríamos passar dali em diante, mas confesso ter ficado feliz por ter tido a oportunidade de contemplar no horizonte uma frente sobre a outra.

Ao trabalho: preparamos a vela grande, rizando-a na segunda e última forra de rizo (recurso utilizado para diminuir o tamanho da vela) e enrolamos o enrolador deixando a genoa (vela de proa) com o tamanho de uma vela de temporal.
Corri todo o carro da genoa (vela de proa) para vante para dar ponto na vela e fomos lá para baixo para arrumar as coisas. Guardamos tudo o que pudesse oferecer risco de voar.
Colocamos as mochilas bem enfiadas junto à proa, no beliche de proa, fechamos todas as gaiutas e vigias, todos os registros de água do casco e fomos nos preparar com nossas vestimentas de tempo ruim.
Depois de tudo arrumado tratamos de lastrear o estômago, pois dali para frente não sabíamos a intensidade de vento que enfrentaríamos.
Cozinhar com mar agitado e vento forte se torna impraticável e super perigoso. A comida pode ir parar no teto, no chão, ou o que é ainda pior, no corpo ou no rosto de algum tripulante.
A frente começou a entrar no começo da noite. Entrou com 20 nós e em menos de 1 hora já haviam rajadas de 35 a 40 nós. O mar subia meio rápido e as ondas ainda não se organizavam.
O barco e toda a tripulação estavam prontos para enfrentar ventos fortes.
Em condições como esta que se anunciava, a grande maioria dos barcos e comandantes que eu conheço, navegaria de volta para trás a procura de um abrigo. Eu também faria isto se estivesse com bastante tempo de sobra mas realmente não era o caso! Enfrentaríamos as condições impostas pelo mar mas chegaríamos dentro dos limites de tempo (vôos, trabalho, etc).

Por Marcelo Lopes