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Prof. Marcelo Visintainer Lopes
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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Salvador - Vitória. Parte 1

Saimos de Salvador às 10h da manhã do dia 08 de outubro. Nosso destino Vitória, via Abrolhos.
Pegamos a previsão no dia anterior e a tínhamos vento a favor nas próximas 24 horas.
Ainda no TENAB, conversei com o Paulinho Mordente (gaúcho amigo nosso que estava levando um outro Delta 36 para Ilhabela) e combinamos de sair mais ou menos juntos. Ele mesmo tirou as últimas previsões e após uma breve conversa decidimos sair. Ele faz translado de barcos a mais de 25 anos e está acostumado com as condições severas do mar. Prefere, assim como todos os velejadores, os ventos a favor e sabia, assim como eu, que teríamos só 1 dia nestas condições.
Paulo optou por navegar mais aterrado, enquanto nós rumavámos mais para dentro, visando Abrolhos. A idéia dele era procurar abrigo da frente mais próximo de Cabrália. A nossa idéia era conseguir chegar em Abrolhos. Lá também tem abrigo do quadrante sul.
A previsão marcava a entrada de duas frentes frias de sudoeste. Sabíamos que o contra-vento iria ser pegado e nos preparamos psicologicamente para isso.

Começamos a navegar e subimos a vela grande logo na saída dos molhes e começamos a velejar junto com o motor. O vento já estava próximo dos 12 nós. A previsão era de 15 a 20 nós de nordeste.
Estávamos no canal, já próximos à saída da Baía de Todos os Santos quando abrimos a genoa do enrolador. Ao abrir a vela notei um rasgo na valuma (parte de trás da vela) de mais ou menos 01 metro na vertical.
Imediatamente virei um 180 e retornei para o abrigo da baía para iniciarmos a troca da vela.
Tínhamos no paiol uma genoa reserva de Kevlar. A vela era nova demais, parecia que ainda não havia velejado. O shape dela era infinitamente superior ao da genoa rasgada. Uma vela para contra-vento e vento forte, exatamente o vento que aguardávamos para as próximas horas. Pensei comigo: "Jesus protege os inocentes". Não seria nada bom aquela vela ter rasgado no meio de um temporal. Rasgou antes de entrar o vento forte e possibilitou uma troca tranquila em águas abrigadas.
Partimos então para Abrolhos, nosso primeiro destino antes de Vitória.
A navegada foi de popa com asa de pomba. O barco navegava com velocidades superiores a 8 nós, o que é bastante bom para um veleiro deste porte.
Navegamos tranquilos durante o dia inteiro e a noite inteira. Avistamos muitas baleias neste primeiro dia. O astral era muito bom. No fundo, no fundo eu sabia que esta tranquilidade não ia durar muito tempo.
Mantivemos contato como o Mordente quase todo o tempo. A bordo do barco dele estavam Plínio Fasolo (POA) e Sérgio (SP). Eles revezavam a fonia do rádio conosco. Até umas 20 milhas de Abrolhos, quando perdemos contato. A última informação é que eles estavam buscando abrigo próximos a Caravelas. Neste último contato informamos que iríamos encarar o contra-vento até Abrolhos. Boa sorte para todos!!!

Os novos tripulantes Leandro (E) e André (D) no alto do elevador Lacerda

Fotos: André Larréa

Trapiche do TENAB

Salvador ficando para trás





Jubarte jogando água para cima

Acima o avistamento das primeiras baleias. Foi logo após a nossa saída de Salvador. Este foi o primeiro dos muitos avistamentos que fizemos.
Abaixo o primeiro por-do-sol no mar (dia 08 de outubro). Embora o sol se ponnha no oeste, quando estamos afastados da costa ele se pôe no mar. O fenômeno se dá pela curvatura que a Terra apresenta. Para quem está no mar é a mesma sensação de ver o por-do-sol na costa oeste da América do Sul.




Por Marcelo Lopes