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Prof. Marcelo Visintainer Lopes
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sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Recife - Salvador. Parte 3

Quando o vento baixou um pouco, deixamos  a Ilha de Santo Aleixo. Tínhamos pela frente mais de 350 milhas para chegar em Salvador.
A tripulação já ambientada com o mar começou a interagir com o barco e com as fainas de bordo. Tínhamos tomado banho de água doce na Ilha (água racionada, é claro) e dali para frente os demais banhos seriam de água salgada com uma leve duchada de água doce para tirar o sal.
O racionamento de água à bordo é uma das coisas mais relevantes em uma travessia. Ficar sem energia ou sem combustível é infinitamente menos complicado do que ficar sem água.
O tanque de água doce do Delta 36 tem capacidade de 350 litros e o de combustível 150 litros (autonomia de 45 horas a motor).

Da esquerda para a direita (Nunes, Ribeiro, Verzoni e Fiad)

A água para beber não está computada nestes 350 litros. Esta é comprada no supermercado e armazenada a bordo em quantidade suficiente para os dias navegados e mais uma reserva técnica caso a viagem atrase.
A água do tanque serve para cozimento, louça (lavamos primeiro com a água salgada e depois passamos água doce para tirar o sal) e banho. O banho não passa de 1,5 litros por pessoa/dia. Um litro e meio de água parece pouco mas dá um banho bem bom.
Quando tem vento tomamos banho na popa e quando a calmaria aparecia, como nas fotos abaixo, o banho era dentro do mar, com espaço para uma recreação. Para ir ao mar, cabos de segurança eram amarrados ao corpo, evitando complicações.



Navegamos por algumas horas apoiados no motor já que o vento não passava dos 10 nós.
Da posição tirada às 6h da manhã do dia 05 de outubro, a carta indicava que estávamos a aproximadamente 80 milhas de Maceió. Não havia nenhuma intenção de parada na cidade já que tínhamos Salvador como objetivo para o dia 07. Faltavam apenas dois dias inteiros para o dia 07 e ainda restavam masi de 300 milhas a navegar.
Para efeito de cálculo de velocidade e tempo de chegada eu estava utilizando a média de 6 milhas/hora.



Mais um dia se passou e a calmaria foi tomando conta. O motor já se tornava ferramenta obrigatória. Não podíamos baixar de 6 nós, pois não chegaríamos em Salvador no dia marcado. Lá uma nova tripulação estaria esperando para o embarque, enquanto que a tripulação atual desembarcaria.
Como de costume, quando a noite caia o comandante ia para a cozinha preparar algo para alimentar aquela tripulação faminta. 05 pessoas a bordo e com fome, não é qualquer coisinha que alimenta.
Arroz era meio quilo por refeição. Massa, 1 pacote e meio. Carne, mais de meio kilo. Durante o dia, tirando o almoço, frutas, biscoitos, sanduiches e torradas e vários petiscos garantiam a mão.
Cardápio da foto: frango grelhado ao molho branco com beringelas e arroz. O arroz vinha até arrumadinho, hein (de vez em quando)!!


Por Marcelo Lopes