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Marcelo Visintainer Lopes
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segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Chegada em Salvador

Logo em seguida do final do avistamento das Jubartes prosseguimos nossa navegada rumo a Salvador.
Estávamos a um punhado de milhas do nosso destino. O vento era pouco e o motor teve que funcionar novamente, ajudando as velas.
A 02 milhas do Farol da Barra o vento nordeste começou a soprar com boa intensidade, possibilitando uma bela navegada de popa em asa de pomba (uma vela para cada lado).
Quando contornamos o farol o vento exigiu mudança no caçado das velas. Já era contra-vento e o movimento de navios no canal era enorme.
Entramos na Baía de Todos os Santos velejando bem e fomos à vela até os molhes que dão acesso ao porto. Dali em diante ligamos o motor e baixamos as velas. Chegamos ao nosso destino!
Virando os molhes avistamos o posto de combustível. Há, que alívio. O diesel estava no final. Abastecemos 140 litros de óleo, sendo que o tanque tinha capacidade para 150 litros. Dali fomos para o TENAB (Terminal Náutico da Bahia), onde faríamos o desembarque dos tripulantes antigos, o embarque dos dois tripulantes novos e o abastecimento de água e gêneros,  preparando o barco para o próximo destino (Vitória).
Chegamos ao TENAB às 14horas.
Nossa previão inicial era chegar ás 13h. Erro de 1 hora num cálculo iniciado 96 horas antes.
O combustível também foi super administrado. Sabia o quanto e como gastá-lo. Ainda sobrou 10 litros que dava para navegar por mais umas 04 horas a motor. Tudo tem que se gerido e pensado para não faltar, assim como a água potável e comida. Esquecer de algum detalhe deste tipo pode ser bastante complicado> Imaginem só faltar comida, faltar água ou combustível... Que tragédia não?

Salvador ao fundo




Abastecimento de diesel no posto flutuante

Chegada no TENAB com elevador Lacerda ao fundo


Forte de São Marcelo






Piso superior do Mercado Modelo

E assim termina esta etapa...

Nos encontramos no final de tarde no piso superior do Mercado Modelo. O mercado fica bem em frente ao TENAB, onde o barco ficou atracado. Lá de cima dava pra vê-lo!
A essas alturas já tinham chegado os dois novos tripulantes que iriam até Vitória seguindo viagem comigo e com o Carlos Fiad. Eram leandro Ávila e André Larréa.
Confraternizamos todos juntos o final dessa pequena história de mar.
Desembarcaram meus alunos, amigos e tripulantes. Marcelo Nunes, Sandro Ribeiro e Gustavo Verzoni. 
Passamos bons momentos a bordo. Superamos nossos limites e fizemos de tudo para passar estes dias em harmonia. 
Dificuldades de convivência são normais a bordo, principalmente quando se fala em aceitação à hierarquia. Talvez esta seja a parte mais difícil para a maioria das pessoas que vão para o mar pela primeira vez.
O barco possui regras de segurança e de convívio. Não existe espaço para erros. O mar não os admite.
As ordens tem que ser cumpridas. Não é uma questão de saber mais ou gostar de mandar. A questão é saber o que fazer, quando fazer e como fazer. Muitas pessoas, mesmo sem experiências anteriores de mar, trazem estas noções na sua bagagem de vida. Estas tem mais facilidade para a convivência e para o trabalho a bordo. As que ainda não possuem, acabam por aprender na necessidade.
O pessoal se puxou e superou suas limitações. Navegamos sem parar nenhum minuto (só nas calmarias para o banho). Navegávamos dia e noite e na maior parte do trecho em profundidades superiores a 2 mil metros. Não havia visibilidade da costa, com exceção de curtos espaços de tempo.
A comunicação era quase inexistente. O rádio só funcionava só quando estávamos próximos de algum barco ou de terra.
Foram 04 dias que valeram tranquilamente por uns 10, tamanha intensidade dos momentos a bordo. 
Demos boas risadas e aprendemos muitas lições com o mar.
Obrigado meus queridos!


Por Marcelo Lopes